Um bom manual de governança hoteleira é o que faz uma operação funcionar do mesmo jeito, todos os dias, mesmo quando muda o turno, entra alguém novo na equipe ou a agenda está lotada. Ele reúne diretrizes, procedimentos e normas para limpeza, organização, manutenção e atendimento ao hóspede, deixando claro o que precisa ser feito e qual é o padrão esperado.
Se você ainda não leu nosso conteúdo sobre governança hoteleira, recomendamos começar por lá e depois voltar para este passo a passo: Governança hoteleira: o que é e como implementar na sua hospedagem.
A seguir, nós reunimos um caminho prático para você criar o seu manual com rotinas, controle de qualidade e padronização, seja qual for o seu meio de hospedagem.
Boa leitura!

1. Mapeie processos de governança
Antes de escrever o manual, você precisa enxergar a operação como um fluxo. O manual deve descrever os processos de governança e como as atividades rotineiras são, ou devem ser, realizadas.
Comece listando tudo o que a governança faz no dia a dia:
- preparação de unidades (quarto/apartamento) para entrada e durante a estadia;
- limpeza de áreas comuns;
- reposição de amenities, itens de uso e materiais de limpeza;
- rouparia, lavanderia e controle de enxoval;
- achados e perdidos;
- vistorias, manutenção preventiva e corretiva.
Dica Profitel: um bom manual começa pela identificação institucional. Inicie com uma capa profissional contendo o nome do estabelecimento, logomarca e data de atualização. Em seguida, apresente o mapeamento do setor, detalhando a liderança responsável, o dimensionamento da equipe e a escala de turnos.
Para garantir uma visão sistêmica, inclua um diagnóstico operacional, descrevendo o número de unidades, as características físicas das instalações e as particularidades prediais que influenciam diretamente as rotinas de limpeza e manutenção. Por fim, converta cada atividade em um fluxo processual detalhado, garantindo que a execução seja clara, padronizada e passível de controle.
2. Defina padrões de limpeza
Um dos maiores desafios da hotelaria é eliminar a subjetividade do conceito de “limpeza”. Para que a qualidade seja constante, o manual deve converter expectativas em critérios objetivos de inspeção.
Defina diretrizes para unidades habitacionais e áreas sociais, abrangendo desde a higienização profunda até a estética da arrumação (configuração de mobiliário, dobras de enxoval e reposição de amenities). Uma estratégia eficaz é segmentar o manual por ambientes (dormitório, banheiro, recepção e áreas comuns, por exemplo), detalhando para cada um:
- Padrão visual: o estado esperado de conservação e estética após a tarefa.
- Gestão química: Produtos autorizados e suas superfícies de aplicação.
- Pontos críticos de controle: itens que exigem rigor técnico (ralos, box, vidros e metais).
- Cronometria: tempo médio estipulado para cada modalidade (limpeza de saída, ocupado ou retoque).
Por fim, documente o método focando na segurança do colaborador, que deve utilizar Equipamentos de Proteção individual (EPIs), e na padronização dos movimentos, garantindo que a conformidade com as normas sanitárias seja inegociável.
A seguir, confira um exemplo de aplicação no manual.
Processo: higienização de box e metais dos banheiros
- Objetivo: eliminar resíduos de gordura corporal, sabão e manchas de água, garantindo brilho e desinfecção.
- Responsável: Camareira ou Auxiliar de Limpeza.
- Frequência: diária (em saídas) ou sob demanda (em limpezas de manutenção).
- Passo a passo:
- Retirar resíduos sólidos do ralo.
- Aplicar desengordurante nas paredes de vidro e nos metais.
- Esfregar com fibra macia (não abrasiva) para evitar riscos.
- Enxaguar abundantemente.
- Secar metais com pano de microfibra para acabamento espelhado.
- Tempo médio: 10 a 15 minutos.
- Insumos: detergente neutro, desengordurante ácido, fibra branca, pano de microfibra e luvas.
- Pontos de checagem: ausência de marcas de dedos no vidro, ralo livre de cabelos e metais brilhantes sem manchas de gotas secas.
- O que fazer quando foge do padrão: se persistirem manchas esbranquiçadas no vidro, aplicar produto específico para remoção e reportar à manutenção para avaliação da dureza da água.
3. Crie checklists operacionais e rotinas diárias
Nós recomendamos que o manual tenha três camadas:
- rotina diária (o que sempre acontece);
- rotinas semanais (o que mantém o padrão com o tempo);
- rotinas mensais (o que evita desgaste e corrige antes de virar problema).
A própria lógica do cronograma ajuda a equipe a saber o que fazer e quando. O manual pode prever um cronograma de atividades que estabelece rotina e até disponibilidade de chaves, além de orientar o comportamento e os procedimentos em situações como quarto ocupado, pertences do hóspede e o que pode ou não pode.
Confira nosso checklist de limpeza para facilitar sua padronização. Você pode adaptar conforme seu tipo de hospedagem e tamanho de equipe.
Dica Profitel: faça duas versões dos checklists. Uma completa no manual de governança, e outra mais enxuta para uso diário.
4. Treine a equipe
Não adianta ter manual se a equipe não conhece ou não aplica regularmente. Por isso, desenvolva um programa de treinamento para garantir que todos compreendam procedimentos, segurança e padrão de serviço esperado.
Inclua no material:
- roteiro de integração para novos colaboradores (primeira semana);
- revisão mensal rápida (20 a 30 minutos) com 1 tema por vez;
- avaliação simples: “o que é padrão e o que não é” com fotos reais da sua hospedagem;
- rotina de acompanhamento: quem observa, quando e como dá retorno.

5. Padronize enxoval e lavanderia
Se a governança sustenta a experiência do hóspede, o enxoval é o ponto de contato direto e sensorial. Um manual eficiente deve listar com detalhes os itens e insumos, especificando quantidades e fornecedores. Além disso, deve integrar o fluxo de lavanderia e reposição, visando à preservação do patrimônio e ao controle de inventário.
O manual deve responder:
- quantos jogos por cama você precisa para rodízio;
- padrão de dobra e armazenamento (rouparia);
- separação por tamanho, categoria e estado (novo, em uso e desgaste);
- critérios de descarte e substituição;
- regras de lavagem para não reduzir a vida útil.
Esse ponto conversa diretamente com uma realidade de uso intenso: peças de hotelaria passam por lavagens frequentes e, se o material não for adequado, podem desfiar ou formar bolinhas com o tempo.
Por isso, ao comprar enxoval profissional, priorize itens pensados para a rotina pesada da lavanderia, com foco em durabilidade, conforto e facilidade de reposição.
6. Defina inspeção e controle de qualidade
A consistência operacional depende da fiscalização. Sem inspeção, o padrão torna-se apenas uma expectativa. Assim, o manual deve estabelecer um checklist de vistoria fundamentado em critérios objetivos, com tolerância zero para falhas críticas, como odores desagradáveis, sujeiras biológicas (cabelos) ou manchas em tecidos e superfícies.
Para otimizar o fluxo de trabalho, o controle de qualidade deve seguir dois modelos:
- Vistoria integral: realizada obrigatoriamente em todas as unidades destinadas a novos check-ins.
- Vistoria por amostragem: aplicada em dias de ocupação máxima para garantir o fluxo operacional sem comprometer a supervisão.
Todos os resultados devem ser documentados, transformando as inspeções em um histórico de indicadores que servirá como base estratégica para futuros treinamentos e melhorias.
7. Integre governança com check-in e check-out
Para que a experiência do hóspede seja fluida, a recepção e a governança devem atuar em total sincronia. O manual deve estabelecer com clareza o fluxo de liberação de unidades e os canais de comunicação entre as equipes. O objetivo é detalhar os processos de check-in e check-out, garantindo que o ambiente esteja impecável no momento da chegada.
Para desenhar seus horários e comunicações, você pode utilizar como referência este guia técnico sobre check-in e check-out. No documento oficial, é indispensável especificar:
- horário de check-out, janela de limpeza e horário de check-in;
- quem atualiza status do quarto (limpando, pronto, manutenção);
- o que acontece quando há checkout tardio ou entrada antecipada;
- padrão mínimo de reposição antes da chegada (amenities, enxoval e itens do banheiro).
8. Cuide da apresentação e dos detalhes finais
A percepção de valor da hospedagem é consolidada nos detalhes finais, onde a identidade do estabelecimento se torna tangível. O manual deve padronizar esses elementos para garantir uma assinatura visual constante, sem comprometer a agilidade operacional.
Para isso, estabeleça protocolos para a ambientação, incluindo diretrizes de aromatização (fragrâncias autorizadas e frequência de aplicação) e o checklist de finalização estética. Caso utilize dobras decorativas em toalhas, é fundamental definir os modelos permitidos para cada ocasião, assegurando que a técnica não comprometa a higiene ou o tempo de execução – você pode encontrar referências e cuidados técnicos neste guia de decoração com enxoval.

9. Registre ocorrências e manutenções
Registrar é o que impede que o mesmo problema se repita toda semana. Por isso, o manual pode prever um sistema para documentar ocorrências e manutenções, garantindo controle e solução rápida.
Seja por meio de planilhas, formulários físicos, livros de registro ou diretamente no software de gestão, o essencial é a manutenção de relatórios diários e uma rotina de auditoria. Para padronizar a coleta de dados, os registros devem conter:
- data, unidade e responsável;
- tipo de ocorrência (limpeza, enxoval, manutenção ou item faltando);
- prioridade (alta, média e baixa);
- prazo de solução e responsável final;
- confirmação de conclusão.
10. Atualize o manual com frequência
A eficácia de um manual não está em sua perfeição inicial, mas em sua capacidade de evolução. O documento precisa ser revisado periodicamente para incorporar novas metodologias e aprendizados baseados no feedback dos hóspedes e da equipe.
Esta dinâmica é importante porque as demandas do mercado, os protocolos sanitários e as normas de segurança são atualizados constantemente. Para garantir que a equipe consulte sempre a diretriz vigente, estabeleça um controle de versões (por exemplo: v1.0, v1.1) e uma rotina simples:
revisão trimestral do que mais dá erro, e revisão semestral do documento completo.
Erros comuns ao criar um manual de governança hoteleira
Para fechar, listamos os erros mais frequentes que custam tempo e rendem avaliações ruins:
- manual longo demais e sem resumo operacional: a equipe precisa do “como fazer” rápido;
- linguagem difícil: o material tem que ser acessível para qualquer colaborador usar no dia a dia;
- padrões que não cabem na rotina: se o tempo previsto é impossível, sempre haverá descumprimento;
- não integrar governança com recepção e manutenção: gera atraso, unidade entregue fora de padrão e estresse;
- não treinar e não acompanhar: um manual sem prática se transforma em arquivo esquecido;
- ignorar enxoval e lavanderia: sem controle, o custo sobe e a qualidade cai;
- não atualizar: o manual precisa acompanhar mudanças e aprendizados.
No fim, o objetivo do manual de governança hoteleira é garantir que a percepção do hóspede ao entrar na unidade seja de absoluta conformidade e cuidado. Para a gestão, o sucesso desse documento significa operações fluidas, uma equipe tecnicamente segura, drástica redução de retrabalho e o domínio total sobre a qualidade dos serviços entregues.